quarta-feira, 24 de julho de 2019

A ditadura bate na porta... outra vez!?

Agentes da Polícia Rodoviária Federal no Sinteam

Devido a visita de Jair Messias Bolsonaro a Manuas, movimentos sociais que se reuniam na sede do sindicato dos professores - Sinteam, no dia 23/07, foram surpreendidos por uma visita nada esperada. Simplesmente três supostos agentes da Polícia Rodoviária Federal, entraram no Sinteam e participaram da reunião. Motivo: queriam saber como iria ocorrer a manifestação na visita do presidente, no dia de hoje (25). Um claro ato de censura, e porque não, o inicio de uma ditadura silenciosa.

Esse fato nos levou a pensar na nossa jovem democracia, e na própria história do Brasil.

A frágil democracia brasileira corre o risco de ser violentada novamente. Digo novamente por entender que o povo brasileiro não reconhece de fato a sua importância. Talvez seja por ignorância, talvez seja por pura pacificidade

O povo nunca lutou por democracia! Sempre houve na história do Brasil grupos de resistência contra a tirania. Grupos que ocupam os livros de história quase que isoladamente. Que vão da Cabanagem  (1835-1840), aos grupos armados que lutaram contra a Ditadura civil-militar (1964-1985). Mas nunca houve unidade do povo!  

Sabemos da importância desses movimentos. A Cabanagem por exemplo foi uma revolta que surgiu do seio do povo. Porém, foi algo isolado, na Província do Grão-Pará, hoje o Estado do Pará. Não foi uma luta que abrangeu todo o povo brasileiro!

Assim como foi a revolta armada. Algumas centenas de jovens e intelectuais tiveram a ousadia em pegar e usar armas contra o sistema ditatorial do Brasil.

A falta da participação popular é uma constante em nossa história. Talvez seja cultural.

Um país que praticamente negociou a sua independência contra Portugal, mesmo sabendo que houve derramamento de sangue como na Batalha do Jenipapo, ocorrida em 13 de março de 1823, na vila de Campo Maior, no Piaui. Os livros didáticos de história dão pouca ou quase nenhuma importância para esse confronto pela Independência do Brasil.

Temos, então um longo período de Monarquia (1822-1889). Pasme, nos dias assombrosos atuais, há brasileiros que apoiam a volta da monarquia!

D. Pedro II sofreu um golpe de Estado, surgiu a Primeira República. O povo não participou de tal revolução. Dormiu numa monarquia e acordou numa república. E por ai vai, República das Oligarquias, depois a Era Vargas.  O "pai dos pobres" passou 15 anos no poder!

Depois de Vargas, um pouco de democracia.

Até chegar o infame 1° de abril de 1964. O Brasil passa a ser viver uma ditadura que vai durar 21 anos! E nada do povo lutar. E quando falo povo é todos que fazem parte do território brasileiro, de Norte ao Sul.

Após a Ditadura civil-militar recuperamos nossa democracia. A Constituição de 1988, é elaborada! De lá pra cá, tivemos 8 presidentes. Dois sofreram impeachment: Fernando Collor de Melo (1992) e Dilma Rousseff (2016).  

Finalmente em 2018, Jair Messias Bolsonaro foi eleito democraticamente presidente do Brasil com 57,7 milhões de votos.

Jair Bolsonaro tornou-se uma ameaça para nossa democracia. Segundo o sociólogo espanhol  Manuel Castells, o Brasil vive hoje "um novo tipo de ditadura". E eu não duvido!

Parece que a ditadura bate na porta... outra vez!? O povo brasileiro vai aceitar? 



Confira os principais trechos da entrevista de Manuel Castells


  








Wilson Lima: em que bronca você se meteu?

O candidato que resolveria as broncas do Amazonas

Ocorre hoje uma grande paralisação realizada por várias categorias do funcionalismo público do Estado do Amazonas. O motivo da paralisação geral é o congelamento do salário dos servidores que vai até o ano de 2021.

Os funcionários reivindicam a revogação da proposta que foi votada e aprovada pela maioria dos deputados estaduais na Aleam,  no último dia 12/07, que causou repercussão negativa na gestão do atual Governador Wilson Lima.

O Governador Wilson Lima, ex-apresentador de programa de televisão local, conseguiu derrotar no segundo turno, o grande pajé Amazonino Mendes, nas eleições de 2018, denunciando problemas na capital e nos municípios do Estado. Tinha como bordão a seguinte frase: "a bronca é comigo"! Bordão que caiu na boca do povo.

O problema é que parece que o Governador não resolve bronca, mais entra em bronca.

Uma das broncas que o Governador não resolveu plenamente, foi a última greve dos funcionários da educação. Depois de quase quarenta dias de greve dos professores, que ocorreram entre os dias 15 de abril e 27 de maio, Wilson Lima saiu enfraquecido dessa batalha. Pois o governador havia prometido durante campanha, que na sua gestão "professores não iriam para rua fazer greve". Os professores foram!

Os profissionais de educação revindicavam um reajuste salarial de 15%, tiveram que engolir amargamente 4,73%,  um pouco maior do que a proposta do governo que era 3,93%.

A paralisação geral que ocorre hoje em frente a Sede do Governo do Amazonas, a partir das 8 horas, no bairro da Compensa, Zona Oeste de Manaus, será mais um degaste no governo Wilson Lima que já vem cambaleando nestes sete meses de mandato.

E agora, como resolver essa bronca Governador? A bronca é com o senhor!

terça-feira, 23 de julho de 2019

Boas férias em Alter do Chão


Estudantes criticam o Ministro da Educação

Vejam só! Por onde anda nosso querido Ministro da Educação Abraham Witraub? O homem que enriqueceu o vocabulário do povo brasileiro, com a famosa expressão "balbúrdia". Que acusou as universidades públicas do país como recinto esquerdista.

O mesmo ministro que confundiu o escritor  Franz Kafka, autor do livro "O processo", com "kafta", comida tipica da culinária árabe. Confesso que nunca comi kafta. 

Prefiro meu jaraqui frito com baião de dois e farinha uarini.

Pois bem. O nosso ilustre Ministro, que está de férias, escolheu um paraíso natural, chamado Alter do Chão, que fica localizado no município de Santarém, no Estado do Pará, para passar as férias. Grande escolha meu caro ministro!

O grande Ministro só não imaginava a recepção que receberia por parte dos jovens estudantes da Amazônia.

Baseado nos vídeos  e imagens que andam circulando pelas redes sociais, observamos um ministro encurralado, sendo humilhado pelo povo. Não a toa!

O projeto "Future-se", desenvolvido e apresentado na semana passada pelo senhor Witrub, é um perigo para as nossas universidades públicas e para a futura geração de estudantes do país. Corremos um sério risco de presenciar o inicio da privatização de nossas universidades públicas.

Um governo que não tem sensibilidade com a saúde, quando retira diversos remédios que eram distribuídos pelo SUS aos mais necessitados, não demostra nenhum interesse com a educação e o conhecimento do povo brasileiro, mais especificamente com os jovens.

Não é possível destruir o futuro do povo tirando direitos trabalhistas, aposentadoria e a agora ameaçando o futuro das universidades públicas e querer andar no meio do povo.

Não dá! Não rola!

É muita balburdia!



     

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Procura-se um "cidadão de bem"!

- Eis, um "cidadão de bem"!

Acordei nesta segunda-feira meio atormentado. O eco das palavras do artista plástico Eduardo Marinho¹, ecoavam em minha mente feito o som de um trovão estrondoso.

Senti necessidade de escrever novamente. Aqui jaz um blog que morre todos os anos e ressuscita!

Assisti a um vídeo do Marinho no Youtube e fiquei maravilhado. Impressionado pela coragem desse filósofo por ter abandonado as chances enquanto jovem de se enquadrar nos padrões do sistema. O maldito sistema!

Voltei a fazer aqueles questionamentos existenciais. Inquietações que lá no fundo do meu eu, sempre soube da resposta: eu era um prisioneiro do sistema. De toda forma de aprisionamento, que vai do econômico, religioso, familiar, educacional, moral, social... O sistema mastiga ao longo do tempo a essência da vida. Mas como perder algo que supostamente nunca tivemos: a vida verdadeira!

O homem que se intitula cidadão, não é um ser único. Existem muitos homens dentro da mente de um único homem. Há uma ligação forte entre o individuo e a sociedade. É dentro da sociedade que o homem monta a sua identidade.

O individuo é uma composição de fragmentos criado pela sociedade. É um ser em mutação física e intelectual constante. 

Nos dias atuais, onde testemunhamos um país dividido pela política e o ódio, a celebre frase de Thomas Hobbes² faz um grande sentido, "o homem é o lobo do homem".

Neste cenário surgiu o "cidadão de bem". Principal protagonista que levou Jair Messias Bolsonaro, ao cargo de Presidente do Brasil. 

O "cidadão de bem" é um refém de suas ambições de consumo e dos seus medos. Mas quem é o "cidadão de bem"? É o assalariado, o trabalhador que paga seus impostos e não ver retorno deles. Independente de classe social ou religião. 

Pagamos um alto índice de impostos e não temos estradas descentes, educação pública de qualidade, segurança presente e tão pouco saúde nos hospitais de nossas cidades. 

O "cidadão de bem" perdeu a esperança quando passou a presenciar a corrupção nas entranhas da política brasileira.

Nos últimos anos foi domesticado a odiar. Nas redes sociais, através dos fake news, nos meios de comunicação de massas principalmente no jornalismo da TV Globo, uma parte dita "cidadão de bem" passou a odiar Lula e o PT.

Tal ódio trouxe a tona o racismo, o preconceito, o desejo pelas armas - prometida por Bolsonaro durante campanha nas eleições de 2018 -, intolerância sexual e religiosa. O "cidadão de bem" tornou-se um reacionário! 

Um antidemocrático, o "cidadão de bem" da classe média bateu panelas e em várias situações pediu a volta dos militares. 

Não posso ser hipócrita. Eu também sou um "cidadão de bem", que acorda às cinco horas da manhã, que vai ao trabalho, que paga impostos, que tem responsabilidades e está perfeitamente enquadrado como um leão enjaulado pelo sistema.

Só uma coisa me faz ser diferente ao "cidadão de bem" intolerante: a esperança! 

É preciso combater os males que se apropriaram do "cidadão de bem". Para que não haja lados. A divisão entre os "cidadãos de bem" só aumentou a intolerância e o medo. Basta!

Procura-se um "cidadão de bem"! Mas que realmente seja do bem. Assim como você.






¹Eduardo Marinho é um artista plástico, escritor, ativista social e filósofo. Ele é protagonista do documentário «Observar e Absorver», produzido em 2016 e dirigido por Júnior SQL e o idealizador do «projeto Via Celestina» que atravessa o Brasil retratando o cotidiano dos artistas de rua.

²Thomas Hobbes foi um matemático, teórico político e filósofo inglês, autor de Leviatã e Do cidadão. Na obra Leviatã, explanou os seus pontos de vista sobre a natureza humana e sobre a necessidade de um governo e de uma sociedade fortes.



  



      

sábado, 31 de dezembro de 2016

2016: o ano que entra para história com gosto amargo

(Luciano Roberto)

Adeus 2016, seja bem-vindo 2017!

É interessante o poder do calendário, em especial, o nosso gregoriano. Possui 12 meses, e neste ano, foram 366 dias. O tempo passou rápido, 2016 chegou ao fim, surge o Ano Novo, e com ele renovam-se sonhos e esperanças.

Finalmente 2016 terminou! Terminou e deixou um gosto amargo na nossa frágil democracia. Terminou e nos mostrou que tudo é possível, até mesmo usurpar o cargo mais importante do Brasil, como foi tirado da Presidente Dilma Rousseff. Quase 54 milhões de brasileiros que deram mais um voto de confiança para Dilma, assistiram bestializados [outra vez!], pela televisão como se realiza um golpe de Estado, branco, limpo, sem sangue, apenas muita covardia e corrupção.

É impossível esquecer as palavras dos ilustres Deputados Federais no momento em que votaram pelo impeachment: “Por amor a minha esposa, aos meus filhos, aos meus cachorros, aos torturadores da Ditadura civil-militar... eu voto SIM”!

Foi o “sim” da hipocrisia que traiu nossa democracia. Eduardo Cunha presidiu e assistiu tudo de um ângulo privilegiado. Pior, o golpe trouxe um presidente “pinguela” – ponte rústica com paus ou improvisada com troncos – apelido que o TEMERoso recebeu do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

A suposta proposta, “Ponte para o Futuro”, tornou-se uma delicada pinguela que o povo brasileiro terá que atravessar nos próximos 20 anos. A tendência é a pinguela quebrar, já que temos hoje o número triste de 12 milhões de brasileiros desempregados.

Nos últimos meses do governo TEMERoso, não vi uma única decisão, uma única fala, um único gesto que pudesse comentar: “Poxa, bacana a decisão do presidente!” Nada... Nadinha mesmo! Não torço para que governo TEMERoso seja medíocre, muito pelo contrário, torço para ele reencontrar o caminho político/econômico para o Brasil voltar a crescer. Mas o TEMERoso é apolítico, pelo menos no sentido de realizar soluções produtivas para o povo brasileiro. Quais soluções? Emprego, carteira de trabalho assinada e dignidade!

Como golpista, TEMERoso foi excelente! Tenho a sensação que é mais fácil provocar um golpe num Estado democrático do que governar para o povo. Não governar para o neoliberalismo, para os empresários, os bancários e o FMI, mas para o povo brasileiro. O povo é o fim, nunca deveria ser o meio!

O ano 2016 é um ano histórico. É o ano onde a primeira mulher reeleita democraticamente para ser presidente do Brasil sofreu injustamente um golpe! É o ano em que as classes dominantes voltaram a amordaçar os sonhos do povo. É o ano em que a extrema direita chegou ao poder, e não foi em qualquer país, mas na maior potência mundial com o “homem cor de laranja”, Donald Trump.

A insanidade solta. Iraque e Síria vivendo uma guerra sem fim. A loucura na cidade de Aleppo mostrando a crueldade humana. O ano 2016 é histórico, tem sabor de golpe, tem sangue, tem guerra e não tem final feliz. Ainda bem que terminou.

Restou-nos renovarmos a esperança em 2017!

É preciso...

domingo, 25 de dezembro de 2016

A barba do Papai Noel (Capítulo final)

(Luciano Roberto)

Um corpo estendido no chão e uma ceia de Natal
(Capítulo 6 )

FELIZ NATAL!

Enoque chegava às 16 horas. Merendava, trocava  de roupa. Tornava-se o Papai Noel. No banheiro colocou no pescoço a gravata adaptada para arma, assim como a barba branca, tudo estava tranquilo. Caminhou nos corredores do shopping, andando com um enorme saco vermelho e um sino. Saiu em busca de atrair a atenção das crianças. Andou por todo o shopping, finalmente, sentou-se na poltrona vermelha.

Pais acompanhados dos seus filhos começaram aproximar-se do bom velhinho, a fila estava se formando.

Enquanto Enoque trabalhava, Mariáh estava em casa. Colocou uma música romântica para tocar. Lembrou dos momentos bons que passou com o seu professor em São Gabriel da Cachoeira. Sentiu um peso na consciência quando lembrou da imagem do rapaz de Barcelos. Não tinha o menor interesse por Enoque, ou tinha? Estava confusa, tinha envolvido ele em um plano que seria colocado em prática dali a poucas horas. Estava apenas usando o rapaz? Sentia culpa, mas pensava que também foi usada. Estava criando uma corrente do mal, onde ninguém realmente se importava com o próximo.

Tudo isso estava acontecendo próximo ao Natal.  Maráh odiava o Natal. Foi na véspera do Natal que seu pai foi atropelado por um caminhão guiado por um condutor bêbado. O acidente foi tão violento que era quase impossível reconhecer o corpo no chão. Via sua mãe gritando desesperada, pedindo ajuda dos vizinhos e pessoas que passavam na rua. O motorista fugiu, pagou fiança e continuava em liberdade. Odiava o Natal.

Lembrou-se quando conheceu o Professor Dr. Joed Silva, fazia poucos meses que seu pai havia falecido. Ficou intrigada com o jeito sedutor e carinhoso do professor. A imagem daquele homem em pé, na sala de aula falando com paixão sobre Arqueologia, lembrava seu pai. Sentiu enorme felicidade quando o professor tinha selecionado ela para orientar no seu trabalho de dissertação. Se apaixonou.    

Passou a refletir sobre sua própria vida, como estava feliz, como tinha dado orgulho a sua mãe e família. Mas havia uma ferida dolorida que ainda não havia sido curada, a falta do seu pai. Ora, o plano estava feito, não voltaria atrás, doa a quem doer.

Professor Dr. Joed Silva estava inquieto. Em sua sala não conseguia se concentrar para ler as pesquisas dos seus alunos. Já era mais ou menos 18hs. Ficou sozinho, a UFAM estava vazia. “Amanhã é véspera de Natal”, pensou Joed. “Merda de Natal!”. Terminou seu pensamento.

O professor levantou-se da sua mesa, pegou algum livro, acendeu um cigarro e foi  em direção ao seu carro. Parou no “Bar do Cabelo”, no bairro Coroado, próximo da UFAM. Bar bastante frequentado por estudantes e professores universitários. Pediu uma cerveja de um litro. Foi atendido, pelo proprietário, o Cabelo. Trocou algumas palavras, acendeu mais um cigarro. Começou a beber. Bebeu três cervejas,  levou quase uma hora para beber cada uma, não estava porre, mas sabia que a cerveja lhe dava coragem, ou sensação de coragem. Pagou a conta do bar, entrou no carro e foi para o Shopping Puai.

Chegou exatamente no horário marcado. Passou em frente ao Papai Noel que estava dando atenção as crianças. Foi andando para próximo dos janelões de vidro que dava para ver todo o movimento da Avenida Grande Circular. Pediu uma porção de salgado com recheio de pirarucu e uma cerveja. Esperou Mariáh.

No meio da Praça de Alimentação, um cantor se posicionava para cantar. Tocou as cordas do violão, estava afinado. Dedilhou. Começou a cantar.

“Porto de lenha tu nunca serás Liverpool, com a cara sarnenta e olhos azuis”...

Os dedos de Joed começaram a bater na mesa, acompanhando o ritmo da música. Quando percebeu que vinha em sua direção Mariáh, estava linda, maquiagem ousada, vestido estilo couro preto brilhante, uma blusa branca, que permitia ver seus seios, já que não usava sutiã. Cabelo solto, sobre as costas.

Enoque viu Mariáh indo em direção ao homem que acompanhava ela naquela viagem, quando vinha de Barcelos. Seus pensamentos fizeram ele deixar por uns poucos momentos o personagem Papai Noel. O plano de vingança era estúpido, começou a fraquejar, mas já não podia.

A ideia que Mariáh apresentou ao Enoque no dia do almoço na Feira do Produtor era simples. Levar o professor até o shopping, ela se vestiria como ele gostava, provocaria o máximo possível o Dr. Joed. Enquanto isso, o tempo do trabalho de Enoque terminava. Ao terminar, Enoque fantasiado de Papai Noel caminhava até a mesa onde estava o professor e Mariáh. Diria o seguinte:

__“Ho! Ho! Ho! Boa Noite belo casal”. Enoque beijaria Mariáh na sua frente, e ambos iriam embora.

__ “Perdeu a garota para o Papai Noel seu cuzão”. Enoque diria a última frase. A arma que tinha sido um presente do pai da Mariáh, não servia para nada. Era apenas uma espécie de peso para papel. Mas caso o professor Dr. Joed Silva, tentasse alguma reação, Enoque tiraria debaixo da barba do Papai Noel, apenas para amedrontar. Era um plano infantil, ambos sabiam.          

Mariáh se aproximou, sorriu, um estouro, um tiro surgiu do nada. Professor Dr. Joed gritou: “Mariáh!”. O tiro havia atingido o professor. O livro caiu no chão, assim como o seu corpo. As pessoas que estavam próximas entraram em desespero. Corriam sem rumo. Enoque tentou se aproximar do corpo da vítima, mas os seguranças não permitiram.

“Mariáh  matou o professor!” Pensou Enoque, o plano era muito tolo, Mariáh queria vingança.

Enoque foi ao banheiro dos funcionários, tirou a roupa, a maquiagem, guardou tudo em seu armário, inclusive a arma inútil. Voltou para a Praça de Alimentação. No meio da confusão não tinha percebido o rombo na janela de vidro do shopping. O professor Dr. Joed Silva, tinha sido vítima de uma bala perdida. O tiro acertou suas costas, perfurando um dos pulmões e atingindo o coração.

Seu corpo estava flutuando em seu sangue. Mariáh correu ao encontro do seu mestre. De joelhos, chorando sem parar, a garota que Enoque começou a amar. Uma dúvida surgiu ao observar aquela cena: seu amor seria correspondido ou foi apenas usado, como ela tinha sido usada pelo seu professor orientador?

...

__ “Papai’!”

O som familiar entrava tão rápido na biblioteca desorganizada, quanto a pessoa que chamava. Era Isamara. Filha caçula, de apenas seis anos de idade do Professor Dr. Joed Silva.

Continuou Isamara:

__ “A mamãe tá vermelha de tanta raiva, os convidados estão chegando para a ceia de Natal e o senhor não para de escrever. Poxa papai, pare de escrever!”

__ “Terminei filha”...

__ “A vovó também tá chateada com o senhor e o vovô. O vovô já começou a beber aquele vinho que o senhor comprou. A mamãe mandou avisar que se ela vier até aqui, o senhor vai ouvir umas poucas e boas. Ela vai fazer o senhor passar vergonha na frente de toda a família”. Resmungou Isamara.

__ “Tá bom princesa do papai, vamos lá!”

Joed ajeitou os óculos no rosto, levantou da cadeira, respirou fundo e sorriu.

__ “Papai, sobre o que o senhor estava escrevendo. Era trabalho da universidade?” Perguntou Isamara, uma menina muito curiosa.

__ “Não filha, estava escrevendo sobre uma moça complicada chamada Mariáh, um jovem ingênuo cheio de paixão chamado Enoque e a Barba do Papai Noel”.

A menina olhou para o pai, não entendeu nada. Os dois saíram da biblioteca do professor. Foram até a sala de visita onde estavam amigos e familiares unidos para comemorar o Nascimento de Jesus Cristo.

Quando o professor Dr. Joed Silva apareceu, todos gritaram:

__ “FELIZ NATAL”! 

E festejaram aquele dia em harmonia, como centenas e milhares de famílias em todo Brasil.

Mariáh e Enoque eram apenas personagens criados pela imaginação do professor.


FIM



Nota do Autor:

Para você que nos acompanhou até aqui, agradeço e espero que tenha gostado. Como citei, sei das minhas limitações sintaxe e morfológica, mas nem por isso vou deixar de fazer algo que amo, que é escrever. Agora vou dá um tempo e ler! Feliz Natal e um Próspero Ano Novo! Que Deus na sua infinita bondade, possa  sempre nos guiar. Que assim seja.  Amém! 

sábado, 24 de dezembro de 2016

A barba do Papai Noel (Capítulo 5)

(Luciano Roberto)

Chantageando o doutor
 (Capítulo 5)


Professor Dr. Joed Silva

Nos dias seguintes, Mariáh acompanhou Enoque até o seu trabalho. Pesquisaram, observavam as pessoas que frequentavam o shopping. Estavam preparados, faltava apenas atrair o Professor Dr. Joed Silva.

Uma das maneiras de chamar a atenção do professor, não seria outro, senão através de chantagem. Mariáh tinha uma infinidade de imagens com o Dr. Joed, ela estava disposta a expor para a família do professor e na própria universidade. Mariáh ligou.

__ “Oi, quem fala?” Atendeu ao telefone o professor Joed.

__ “Mal apareceu uma aluninha nova e você simplesmente me excluiu do seu mundo meu caro Orientador”.

__ “Oi Mariáh, tentei falar com você, mas estou verificando vários trabalhos, inclusive o seu”...

__ “Deixa de papo Joed, eu vi você com aquela aluna novata no teu escritório, quero conversar contigo pessoalmente”...

__”Vem aqui na UFAM”.

__ “Não, vamos nos encontrar a noite no Shopping Puai, às 20 horas, hoje. Não falte, se você faltar vou te ferrar, ou você esqueceu as imagens íntimas que fazíamos juntos? Tem uma aqui, muito interessante: você vestido com a minha calcinha de renda preta. Lembra”?

Mariáh desligou o celular, e postou no WhatsApp do professor algumas imagens comprometedoras. Imediatamente o celular dela tocou. Era o Dr. Joed.

__ “Sua idiota, o que você quer? Você sempre soube que o nosso caso era apenas uma curtição, nada sério. Sempre deixei claro isso para você. Por que age como uma maluca, ficou louca? Assim como te ajudei academicamente, posso te destruir”.

__ “Dane-se! Ou você aparece hoje no shopping, ou amanhã todos saberão quem é o tarado do Professor Dr. Joed Silva.

Desligou o celular, tirou o chip. Estava diante de Enoque. Pegou a gravata borboleta, que tinha feito um local perfeito para colocar a pequena arma. Colocou a barba do Papai Noel, branca, longa e  cheia. Não dava para perceber que embaixo daquela barba falsa, havia uma arma de fogo. A gola branca da roupa, como era espessa, ajudava a camuflar ainda mais a arma.

Mariáh olhou para Enoque, mostrando que agora não tinha mais volta. Talvez a juventude não permitisse perceber a loucura que estavam prestes a realizar. Nada mais importava. Enoque estava seduzido pelo fogo ardente da paixão, já Mariáh, sentia a sanidade da vingança tomar toda a sua razão.

Naquele dia, um dia antes do Natal, fizeram amor mais uma vez na cama de solteiro de Enoque. Despediram-se. Decidiram que se encontrariam apenas a noite no shopping.

Enoque ficou deitado na cama. Lembrou-se do seu tempo de menino em Barcelos. Adorava pescar com o seu velho pai. Nunca se esquecera das histórias que seu pai contava: Curupira, Boto, Cobra Grande entre outras. Ficou lembrando cada uma delas, até que adormeceu.

Mariáh pegou um ônibus. Finalmente depois de passar três noites fora, voltava para casa. Morava apenas com a mãe. O pai tinha morrido alguns anos atrás, acidente de carro. Mariáh sempre foi estimulada a viver a liberdade, a viver a vida, mas com responsabilidade. Vinha agora uma frase que viu seu pai falar, em uma reunião de família.

__ “A vida é muito curta para se viver sofrendo”. Seu pai certamente não estava orgulhoso com as últimas ações da filha, Mariáh estava decidida.

Uma leve chuva começou a cair. O céu da Zona Leste de Manaus ficou cinzento, tudo parecia está em sintonia. Estava fazendo um frio bom.

Poderia desistir do plano idiota e infantil, mas queria que Joed sentisse o mesmo que ela estava sentido.

Queria vingança!

(Continua...)