domingo, 16 de outubro de 2016

Arthur Neto x Marcelo Ramos: e a política do "café com leite"

(Luciano Roberto)

Arthur Neto (PSDB) e Marcelo Ramos (PR)

Em 1889, o Brasil viveu um grande momento histórico. Deixou de ser uma monarquia e tornou-se uma república. Foi uma revolução, mas diferentes das revoluções francesa, russa e cubana, não houve a participação do povo brasileiro.

Anos mais tarde, o genial historiador José Murilo de Carvalho escreveria sua grande obra "Os Bestializados". A obra retrata o episódio ocorrido na cidade do Rio de Janeiro, na época capital do Brasil.

O título do livro é baseado na famosa frase de Aristides Lobo, que escreveu o artigo "O povo assistiu àquilo bestializado", em 1889. Resumindo: o povo dormiu em um país monárquico e acordou em um país republicano.

Então tivemos o primeiro presidente do Brasil, Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), um militar. Depois o alagoano Floriano Peixoto (1839-1895) - outro militar, só pra variar - e finalmente, o poder executivo foi entregue a um civil, Prudente de Morais (1841-1895).

Nascia no Brasil, o período conhecido como República das Oligarquias. Os grandes latifundiários passaram a governar o país. Com uma peculiaridade, Minas Gerais e São Paulo se reversavam no poder. E permaneceram até 1930, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder.

Tive que realizar este pequeno contexto histórico, para falar dos nossos nobres candidatos a prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB) e Marcelo Ramos (PR).

Arthur Neto tem o apoio do atual Senador Eduardo Braga (PMDB).

Marcelo Ramos tem um apoio mais pomposo, composto pelo Governador José Melo (Pros), Senador Omar Aziz (PSD), Alfredo Nascimento (PR), sendo que no último debate transmitido pela TV Bandeirantes, Arthur Neto acusou Marcelo Ramos de receber apoio do velho cacique Amazonino Mendes (PDT). Só gente boa!

Se o velho boto tucuxi Gilberto Mestrinho fosse vivo, estaria neste meio com certeza. São os mesmos que estão mamando nas tetas do governo há quase três décadas. Aliás, é impossível lembrar do velho Raposo sem cantarolar "pelo rio o caboclo navega sem medo oh!oh!oh!"...

Toda essa quantidade de nobres políticos faz eu lembrar a poesia "Quadrilha" de Carlos Drummond de Andrade: "João amava Teresa que amava Raimundo / que amava Joaquim que amava Lili / que não amava ninguém"(...). Na minha humilde versão, ficou assim: "Gilberto Mestrinho que criou Amazonino Mendes / que criou Eduardo Braga que criou Alfredo Nascimento e Omar Aziz / que criou José Melo que ainda não criou ninguém". Será o Marcelo Ramos a primeira criação do governador?

José Ricardo (PT) e Hissa Abrahão (PDT), ambos candidatos a prefeito no primeiro turno, fizeram bem em não divulgar apoio a nenhum dos dois candidatos no segundo turno. O Hissa Abrahão saiu enfraquecido nesta eleição, deve ter aprendido a lição nas eleições de 2012, quando foi vice de Arthur Neto, que soube usar o jovem político como ninguém.

Arthur Neto e Marcelo Ramos estão revivendo a política "café com leite". Há muito tempo seus apoiadores estão se reversando no poder. Uma hora são aliados, noutra são inimigos mortais. Quem será o vencedor no próximo dia 30 de outubro? Façam suas apostas! Eu já tenho o meu candidato, e você?



       

   

     

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Por que alguns professores perdem a paixão pela sua profissão?¹

                                                     (Luciano Roberto)
Professores da Escola Estadual Gilberto Mestrinho na escolha do livro didático.

     A paixão, assim como o amor são sentimentos abstratos que a humanidade desenvolveu ao longo de sua jornada histórica. São sentimentos puros que se enquadram em relação à pessoa amada, aos filhos, a um bem material, a um animal de estimação e até mesmo a uma profissão. No mundo capitalista de mercado e lucro, nada melhor para um indivíduo do que trabalhar na profissão que lhe causa satisfação. 

    Conheço condutores de ônibus coletivos que adoram dirigir, imagino médicos que se sentem orgulhosos por serem úteis ao próximo, e claro, professores apaixonados em ensinar e aprender, diariamente, na sua praxe construtora de uma sociedade conscientizada. 

      Dando ênfase ao professor, surge a interrogação: porque alguns profissionais da educação perdem a paixão por sua profissão? Pensando nesta questão um tanto complexa, é que elaborei – mesmo que equivocadamente – três possíveis hipóteses, que prefiro chamar de pilares para que ocorra esta falta de compromisso com a educação, pois paixão é envolvimento com o outro, responsabilidade e desejo. O sujeito apaixonado é antes de tudo um utópico, acredita na felicidade, em uma vida melhor e mais digna. A morte das utopias contemporâneas são demonstrações do progresso em que os homens se encontram e, ao mesmo tempo, o seu regresso diante de uma sociedade competitiva. É necessário resgatar as utopias e acreditar na possibilidade de desenvolvermos um mundo melhor. O mestre e humanista Paulo Freire acreditava em uma revolução através da educação; acredito que este é o caminho a ser seguido, mesmo que este caminho seja repleto de espinhos. A ausência de paixão em relação à educação é causada pelo paradigma mantido através do sistema educacional que valoriza mais quantidade do que qualidade. Romper com este paradigma é uma obrigação política, social e cultural de toda a nação brasileira. 

     A razão que causa a perda da paixão dos profissionais da educação é sustentada em três pilares: desvalorização econômica, desvalorização social e desvalorização política.

      O primeiro pilar, a desvalorização econômica é responsável pela exaustão em que são submetidos à grande maioria dos educadores, muitos chegam a trabalhar sessenta horas semanais, como cita o professor Hamilton Werneck autor do livro Tornei-me pessoa: “Os professores não têm, na verdade tempo para ensinar” (p.12). Ora, se os professores não têm tempo para ensinar, imagine tempo para aprender. A insana corrida exigida pelo capitalismo obriga professores a encararem uma jornada de trabalho muito maior do que deveriam enfrentar. No mundo capitalista a questão econômica é um símbolo de status, levando ao desrespeito e falta de dignidade para as classes menos favorecidas. Não valorizar os profissionais de educação é desmoralizá-los diante da sociedade, pois o respeito e admiração (principalmente por parte dos educandos) acabam sendo decrépito instantâneo. Esta desvalorização cria uma falta de expectativa em relação à profissão de educador, causando certo tormento, mesmo que ingênuo, interrogar-se: será uma profissão extinta no futuro? 

   O segundo pilar é a desvalorização social, que está intrínseca ao primeiro pilar. O professor desvalorizado economicamente passa a perder credibilidade na sociedade. Quantos professores já sofreram agressões físicas e orais em seu ambiente de trabalho? Isto é reflexo do prestígio e respeito que o profissional da educação está perdendo. No artigo Professor: história de medos e ousadias, publicado na Revista de Educação AEC, número 143, a Doutora em Sociologia Célia Maria Costa alerta que “a violência, as drogas, o desemprego, o predomínio de uma educação bancária, a questão salarial, a falta de condições de trabalhos são alguns dos medos dos docentes” (p. 38). Conclusão: os professores são reféns dos males causados pela sociedade e, consequentemente, do sistema capitalista. 

   Finalmente, o terceiro e último pilar, é a desvalorização política. Este pilar é de exclusiva responsabilidade de alguns professores que acabam esquecendo (ou não têm conhecimentos) do seu poder político. Muitos professores em véspera de eleição acabam vendendo-se a políticos em troca de pequenos favores. Sendo a educação uma arte política, os professores têm por obrigação usar a sua influencia política para desmistificar as falsas verdades imposta pela classe dominante e ajudar na conscientização e não pensar apenas em si próprio. Tornar-se fantoche nas mãos de políticos é não acreditar na profissão de educador, é auto desvalorização. O professor fantoche-político é responsável por contribuir para a morte das utopias, é culpado na manutenção da decadência dolorosa da educação pública e da sua profissão. Vive a inércia dialética que rasteja a décadas na educação do Brasil. Os professores que perderam a paixão pela educação, precisam com urgência aprender a amar, pois, com o fim da paixão só resta a dor ou o surgimento do amor, como dizia o poeta Renato Russo “é preciso amar…” Sendo que o professor que optar pelo amor, fará a diferença no processo educativo e na construção de uma nova sociedade. Mas amor com valorização. Só posso amar alguém quando sou valorizado e amado. Será que nossos representantes – vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores, presidentes – não percebem? Ou fingem que não sabem? Valorizar o professor é desenvolver um novo Brasil! Valorizar o professor é respeitar a sociedade! Valorizar o professor é uma obrigação!




¹ Escrevi este texto a três anos atrás. Acabei encontrando ele no Blog "História com Farinha" do Professor Jonas Ojuara. Penso que continua tão atual quanto outrora.

jonasojuara.wordpress.com/2013/06/

terça-feira, 11 de outubro de 2016

20 anos sem Renato Russo

(Luciano Roberto)

Renato Russo: vinte anos sem o poeta

     Você que tem idade acima de 35 anos, se lembra o que fazia exatamente a 20 anos atrás, mas precisamente no dia 11 de outubro de 1996? Eu lembro. Andei de patins durante a manhã e a tarde fui para Escola Municipal Júlia Barjona Labre, onde estudava, localizada no bairro São José Operário, Zona Leste de Manaus. Na escola, ocorreram os dois primeiros tempos de Língua Portuguesa e  o terceiro de Matemática.

   Cursava a 8ª série na turma "C". Último ano do Primeiro Grau. Era assim que chamávamos o Ensino Fundamental II.  Finalmente tivemos a hora do recreio.

     O "grude" - era como alguns colegas chamavam a merenda da escola - até que era bom. Foi neste momento que apareceu a Hebe, aluna novata na escola que facilmente se entrosou conosco. Era branquinha, com um nível de atitude fora de sério. Além do mais, era uma gata! Ela trazia consigo um cigarro. Ficávamos atrás da escola, batendo papo, paquerando e fumando.

     Hebe trouxe a notícia. "Vocês já sabem?". A pergunta flutuou por um instante em nossas mentes sarnentas por conhecimento. "Sabem o quê?". Quase todos que estavam presentes falaram ao mesmo tempo. Foi então que a Hebe disparou a notícia: "Renato Russo morreu!". Caracas! Puta que pariu! Ficamos intactos, era papo, não era verdade. Renato Russo não havia morrido, mas morreu.

     Em 1996, vivíamos a década da cultura inútil. A "bundalização" tomou conta do país. De Norte ao Sul não tocava outra coisa na rádio a não ser "É o than". Outra banda que começou a fazer um grande sucesso neste mesmo ano, foram os "Mamonas Assassinas". Com o seu jeito descontraído conquistou o Brasil.   

     Fumamos nossos cigarros em silêncio. Podíamos ouvir o canto dos pássaros, o vento soprando nossos rostos, o barulho dos ventiladores do teto empoeirados das salas vazias. Finalmente o barulho da campainha, que nos avisava o fim  do recreio.

     Retornamos para a sala de aula. Ficamos esperando amarguradamente o  termino do dia letivo. 

     Ao sair da Escola Municipal Júlia Barjona Labre, fomos até ao Bar do Sally. Famoso bar de encontro de adolescentes e jovens que curtiam rock n' roll. Lá encontrei vários amigos, todos lamentando a morte do poeta. Renato Russo morreu e deixou sua obra prima para todo sempre: a música. 

    O bom e velho rock n´roll nacional, havia ficado mais uma vez órfão.



segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Porra é com "dois r" professor?*

(Luciano Roberto)

     

    Detesto levar meus alunos para enfrentarem a direção da escola. São poucas as vezes que levei algum aluno problemático para que houvesse interferência do(a) pedagogo(a) neste meus dezesseis anos de magistério.
     
     Na minha opinião, o professor que leva o seu aluno para as mãos da direção da escola, acaba sem perceber, criando provas contra a sua falta de perspicaz em solucionar seus próprios problemas em sala de aula. Claro que há casos e casos! 

     Guardo em minha memória um desses casos. Seu nome: Rogério.
     
   O Rogério era um garoto com faixa etária acima dos demais alunos do 3º Ano do Ensino Fundamental da  Escola Municipal Roberto dos Santos Vieira. Tinha 10 anos, enquanto que os demais alunos tinham 8 anos de idade. Parecia ter saído das estórias em quadrinhos do incrível cartunista Maurício de Sousa.

     Certamente que todos já ouviram falar do Cascão. Criança esperta, amigo fiel do Cebolinha, nos momentos bons e nos momentos de coelhadas, que não gosta de tomar banho. Pois bem, o Cascão perto do Rogério era limpíssimo.

     O Rogério morava com seu avô. Um senhor de idade avançada que tinha como sustento, produzir carvão. Morava numa casinha bem humilde de palafita. O piso era de barro batido. O banheiro ficava no quintal, tinha paredes de palha, um enorme buraco, sobre a fossa algumas tábuas. Literalmente poderia se defecar e ouvir o barulho das fezes ao tocar no fundo do poço.

     Havia também o vira-lata "Olho fundo". O cão era tão magro que mal se aguentava em pé. Vivia nos braços do Rogério. Dormia no colchão encardido com o menino. Os dois eram como unha e carne, quase não se largavam. Rogério ia para escola, Olho fundo ficava esperando no portão.

     Na sala de aula, o odor se espalhava, ou seria melhor, o fedor? Era uma mistura de cheiro de urina mais cachorro molhado e um bocado de coisas a mais que ninguém conseguia identificar. As outras crianças se afastavam do Rogério. Ele ficava triste, eu também. Centenas de vezes alertei o Rogério do seu problema. Falava para o avô. Mas não adiantava, quando era noutro dia, lá chegava o Rogério com seu cheiro inconfundível.

     Certa vez fiquei irritado. Não dava para suportar o cheiro ruim do Rogério. Então fiz a primeira de tantas outra bobagens que acabamos fazendo ao longo da trajetória docente: gritei com ele e chamei de "menino porquinho". Para piorar, a classe toda sorriu. E repetia:

     __Menino porquinho! Menino porquinho!...

     Ordenei que a turma parassem de repetir aquelas palavras. Enquanto falava com os alunos, o Rogério escreveu a palavra "PORRA" bem grande e nítida no braço da sua carteira. Olhei para ele e perguntei:
     
     __O que é isso rapazinho? Com o tom de voz áspera.

     Rogério respondeu com outra pergunta:
     
     __ Porra é com "dois r" professor?

     Foi a gota d'água. Peguei no braço do Rogério e levei ele para a diretoria. Estava farto!

     Naquele dia saí da escola exausto. O turno era matutino e eu deveria seguir para outra escola no vespertino. Não fui. Peguei o ônibus e fui direto para casa. Antes de chegar em casa, parei no bar do Seu Renato e tomei um porre. Talvez um dos piores porres que já tenha tomado.

     O remorso havia invadido a minha alma. O Rogério era analfabeto, e a primeira palavra que ele havia escrito corretamente, em vez de receber um elogio, foi castigado.

     Poderia ter feito assim pensei durante a minha embriaguez:

     __Muito bem Rogério, a palavra "PORRA" é escrita com "dois erres". Mas ela não pode ser dita por um menino bacana como você... ou poderia ter dito... não sei...

     No outro dia fui para escola, ia resolver tudo com o Rogério, mas ele não estava na fila com os demais alunos. Entramos na sala, todos sentaram-se. Dirigi-me até a sua carteira. Estava vazia, e sobre o braço dela, estava escrito "PORRA", corretamente com os "dois r". 


*A história acima é uma ficção com algumas doses de realidade.

     

   
A poesia no cotidiano do sujeito histórico


     A poesia sofreu um grande impacto nas últimas décadas. Foi ao pouco sendo esquecida, vista apenas nos suspiros de alguns utópicos apaixonados. Mas a poesia não deve ser abandonada completamente. Ela é uma ferramenta poderosa que pode ser utilizada por educadores em sala de aula.

     Foi com esta ideia na mente, que levei a poesia para a turma do 9º Ano 01, do Ensino Fundamental da Escola Estadual Gilberto Mestrinho em 2015. Um ano depois, sem querer, mexendo em meus arquivos, acabei encontrando elas hoje. Então, achei por bem socializar.

     São temas contemporâneos, que falam de luta, medo, tristeza e sofrimento. Claro que a poesia abrangem a todos esses sentimentos humanos, sem esquecer a paixão, o amor, desejos etc.  

   Os alunos escolheram uma temática que destacava a desigualdade social adolescente/juvenil e passaram então a produzir suas poesias. Elas foram declamadas através da realização de uma performance para os demais alunos da escola.

     A poesia crítica, que denuncia as mazelas deste mundo. Falando da vida e dos sujeitos históricos, que encontramos nos sinais, nas feiras, nas ruas... Sem expectativas, sem direito a sonhar.

     Destaco algumas delas agora.         

Flanelinha
(Diego Fernando)

Mim olho no vidro, no vidro do carro.
Tenho em minhas mãos um spray e um cabo.

Da vida ganho chute e tapinha,
O meu trabalho é de flanelinha.

Eu vejo pessoas por mim passando.
Olho o dia e já está acabando.

Ricos e humildes é assim...
Queria essa vida, quando eu chegar ao fim.

Mas disso não mais exijo
Dos meus sonhos eu até desisto.

O sinal vermelho abre
E para a calçada eu vou.

A noite tristonha chega
E sol quente já passou.


Juntar Latinha
(Diego Fernando)

O meu alarme soa,
Meu dia não começa a toa.
Mim levanto para trabalhar
Minha família “preciso” alimentar.

De bom não como nada
Mas eu gosto de sardinha
Minha sandália esta acabada
Ganho a vida catando latinha.

Todo dia é assim,
Então não é o fim.
Na vida, não dou gemido
E é assim que sobrevivo.

  
Vender Salgados
(Itamar Azevedo e Matheus Silva)

Crianças passam na rua e gritam:
“Salgado! Salgado!
Comprem, estou necessitado,
Pois, os meus pais estão desempregados.

De manhã cedo acordo,
Começo a enrolar a massa
E penso como o meu dia será?
Lembro que mais um dia vão me explorar.

Desde que me entendo por gente
Começaram a me explorar
Desde cedo,
O brilho quente do sol bate no olhar
E penso, sou apenas uma criança imaginando
A ser livre para sonhar.


Servente de pedreiro
 (Diego Fernando)
Tijolos carregam
Areia peneiram
Concreto farão
Pois serventes eles são.

Medindo a parede
Trena na mão
Maceira no chão
Plumo de enfeite na mão.

Escola eles faltam
Para fazer lajes altas
Poderia estudar
Mas é obrigado a trabalhar.


Malabarismo da vida
 (Sophia Leão)
O sinal vermelho fechou
O trânsito parou
Francisco pegou suas laranjas
E malabarismo realizou.

O condutor olhou
Fez cara de quem não gostou
Levantou o vidro do carro
E se isolou.

Francisco na rua ficou
Recebeu cinquenta centavos
Do condutor
Que estava atrás
Do primeiro condutor.

O sinal verde abriu
Francisco da rua sumiu
O futuro do Brasil
Sentado na sarjeta
chorou.



domingo, 20 de março de 2016

Alunos do Ensino Médio no Parlamento Jovem Estadual
Alunos Victória e Dominyke - Vespertino
  
Alunos do 2º e 3º Ano do Ensino Médio da Escola Estadual Gilberto Mestrinho, participaram no dia 16 de março, do projeto “Parlamento Jovem Estadual”, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas – ALEAM,
            Houve palestra sobre Política e Cidadania, além de eleição para a escolha dos jovens parlamentares.
            Tivemos a participação de nove candidatos. Diversas propostas foram mencionadas pelos jovens aspirantes, tais como: saúde, primeiro emprego, segurança pública, educação e meio ambiente.
            Após a socialização das propostas, ocorreu a eleição com a participação de todos os alunos presentes.
            Sendo eleitos, Victória Almeida e Dominyke Gabriel (suplente),  ambos os alunos do 3º 01.
            Eleita para o Parlamento Jovem, Victória Almeida 17, relatou “que para muita gente talvez não tenha tanta importância, no entanto, para mim é uma oportunidade extraordinária, não somente pelo fato de dar voz aos meus pensamentos, de lutar pelos meus ideais, mas principalmente pelo simples motivo de ver o orgulho estampado no rosto da minha mãe”.
            Para o suplente Dominyke Gabriel 17, o curso legislativo e a eleição trouxeram “orgulho, esperança e otimismo. A fusão destes sentimentos aumentou significativamente o meu sonho por um Brasil melhor”.
            Os alunos eleitos serão capacitados. Receberão aulas de procuradores, educadores da casa, além de todo material didático pertinente ao Parlamento.
            Desejamos toda sorte e sucesso aos jovens parlamentares.



sábado, 17 de janeiro de 2015

Só essa mulher mesmo, para amar tanto assim!


Só essa mulher mesmo, para me amar tanto assim!
            É... sem perceber os dias foram passando e quando dei por mim, já fazia 17 dias que eu não ligava, e tão pouco visitava a mulher que me ama. A última vez que a vi, foi na virada do ano. “Adeus ano velho, feliz ano novo”... Grande coisa, o ano se foi, mas alguns problemas acabam ficando. O que falar das intermináveis prestações do carro que ainda faltam pagar?
            O tempo anda rápido, ou melhor, voa rápido. Já se passaram 17 dias, desde que o ano novo começou. Que excremento sou eu que não vi o tempo passar? Enquanto isso, a mulher que me ama, continua esperando. Um telefonema seria o mínimo de consideração por minha parte.
            Dois irresponsáveis: eu e minha ociosidade, apaixonados por um livro. Deitado na cama, consumidos por um orgasmo intelectual da história da desigualdade social. Tentando entender “O Capital no século XXI”, do francês Thomas Piketty. Viajando nos primórdios do capitalismo inglês e francês dos séculos XVII e XVIII. Desculpazinha vagabunda é essa!  E a mulher que me ama, esperando.
            Bem que ela poderia ligar, mas orgulhosa como é, não faria tal coisa. A obrigação é minha, e o tempo passando sem eu notar.
            Quanto ao tempo, não consegui perceber os cabelos grisalhos que chegaram, nem as rugas que tomaram conta do meu rosto. Apenas guardava um olhar juvenil no reflexo do espelho. Não pense que estou lamentando, ao contrário, eu exalto a maturidade. Não é por nada, mas envelhecer é um troço bacana.
            Acho legal quando vejo um(a) jovem cumprimentando um adulto de “senhor(a)” ou chamando de “seu(dona) fulano(a)”. Existe uma serenidade e respeito com o outro, o mais velho. Poder envelhecer é incrível e necessário, mas é preciso manter a mente púbere.
            A mulher que me ama, tem uma história de vida bem maior do que a minha. Passou por uma ditadura, viu o mundo correr feito louco para os braços da tecnologia. Ultrapassou as fronteiras da vida, ensinou um pouco do que aprendeu.
            E mesmo assim, faz 17 dias que não dou noticias.
            Outro dia, o Papa Francisco comentando o atentado terrorista no jornal francês  Charlie Hebdo, disse que "matar em nome de Deus é uma aberração. Mas também não podemos provocar nem insultar a fé dos outros. Se um grande amigo fala mal da minha mãe, ele pode esperar um soco, e isso é normal". Ora, quem não defenderia a sua mãe? Pois é, a mulher que me ama, é minha mãe. Nestes últimos dias, não telefonei e nem fui visitá-la. Veja o tamanho da minha dor de consciência.
            Fico pensando nas mães que perdem seus filhos para o crime, para as drogas, para a loucura do terrorismo ou da guerra. Lamento pelos filhos que perderam suas mães. Ainda bem que amanhã é domingo. Vou passar o dia com a mulher que me ama: mamãe! A dona Belinha.