domingo, 4 de agosto de 2019

APMC: imagine autonomia para todas as escolas públicas

APMC - Associação de Pais, Mestres e Comunitários

Recorremos ao Google, para termos um conceito sobre o significado da sigla "APMC (Associação de Pais, Mestres e Comunitários) é uma entidade jurídica de direito privado, criada com a finalidade de colaborar para o aperfeiçoamento do processo educacional, para a assistência ao escolar e para a integração escola-comunidade".

Perfeito!

Eis que ontem a noite (4), fui dar uma voltinha com o meu povo e me deparei com uma grandiosa festa "agostina", que estava ocorrendo no  Studio 5 - Centro de Convenções. Ora, a primeira coisa que veio a  minha mente foi "tacacá". Tomar um delicioso tacacá!

Para a minha surpresa, indo em direção ao Centro de Convenções, vi muitas crianças pequeninas, com idade entre 2 a 5 anos, acompanhadas pelos pais. Muitos pais levavam nas mãos aquelas guloseimas deliciosas de festa junina. Foi então que percebi que estava participando do arraial de uma escola pública! Fiquei maravilhado!

Tudo lindo! Imagine.

O arraial estava sendo promovido por uma escola de Ensino Infantil administrada pela PMAM. Passei a observar e prestar um pouco mais de atenção ao meu redor, além da festa.

Ao entrar no Centro de Convenções, a primeira situação que me chamou atenção foi a fila de pais diante de uma sala com uma placa de emborrachado escrito APMC - imagem acima.

Muitos pais  "compravam" a mesa do Arraial.

Então surgiram alguns questionamentos:

Por que as APMC's das escolas militares têm autonomia em cobrar mensalidade dos pais/responsáveis e as escolas públicas civis não? Existem escolas não militares que também cobram mensalidades e fazem parte da Seduc? Se tem, quais são?

Fazendo umas continhas banais, vejamos: se uma escola estadual tiver cerca de mil alunos e cada pai/responsável contribuir com dois reais, teremos R$ 2 mil reais mensais. Em um ano seria cerca R$ 24 mil reais! Imagine uma mensalidade de R$ 30 reais,  sendo paga pelos pais/responsáveis dos supostos mil alunos.  Haveria uma arrecadação mensal de R$ 30 mil reais! Cerca de R$ 360 mil reais anual!

Imagine esse dinheiro sendo administrado pela APMC, em todas as escolas públicas, não apenas nas militares. Imagine um gestor de escola civil fazendo bom uso desse dinheiro.

As escolas poderiam fazer sua própria manutenção sem precisar esperar longos dias para serem atendidas por suas reivindicações diante da Seduc. Imagine poder realizar com os alunos excursões em museus, zoológicos, teatros, bibliotecas, etc. Sem precisar passar semanas fazendo cineminha, ou torneios de futebol para conseguir dinheiro para pagar o transporte. Imagine uma sala de informática com internet funcionando, data show em cada sala, assim como salas de matemática, física e ciência. Acervo da biblioteca sendo renovado. Aulas de Educação Física com material adequado, e não apenas a velha e surrada bola de futebol.

"Imagine"... John Lennon, conseguiu imaginar um mundo melhor. Eu estou imaginando escolas públicas melhores, principalmente onde elas são essenciais: nas periferias! 

Agora voltando para a realidade: em muitas - não sei se todas - escolas públicas civis, pelo menos onde já trabalhei e trabalho, muitas vezes ao longo do ano, falta material pedagógico, como uma simples resma de papel oficio. Ar condicionados existem, estão pendurados nas paredes, porém, muitos estão danificados. Material pedagógico, na maior parte do ano letivo é apenas um sonho.

O que chama atenção, é perceber que o Estado tem apenas um sistema de educação, mas com dois modelos de escola. Uma tem autonomia e mecanismo para adquirir recursos (capital), e a outra, não!

Não sou a favor de cobrar mensalidades longe da realidade dos pais, principalmente nas escolas periféricas. Mas, é nítido que há diferenças entre as escolas militares e civis. É dever do Estado proporcionar oportunidades iguais para todos os alunos do Amazonas.

Se não fosse pela garra, dedicação e ousadia de muitos professores, várias escolas nas periferias seriam apenas depósitos de crianças, adolescentes e jovens, e não um lugar para adquirir conhecimento e cidadania.

É fato, muitos professores tiram dinheiro do próprio bolso para ajudar nos eventos da escola. Já presenciei uma colega levar um ar condicionado da sua residência para ser instalado na sala de aula onde lecionava.

Imagine trabalhar numa sala com 30 crianças, com sensação térmica de 40 graus. Principalmente durante o nosso verão escaldante.   

Não tenho nenhuma crítica quanto as escolas militares, muito pelo contrário, admiro a sua autonomia. Só não consigo entender a seguinte pergunta: se nas escolas militares as APMC's, podem cobrar mensalidade, por que nas escolas civis não podem? Ambas não são públicas?  Um peso, duas medidas, não parece justo! 

Quem sabe um dia, professores da periferia possam levar os seus alunos para dançar no palco do Studio 5 - Centro de Convenções. 

Imagine...   

Talvez não! Na periferia a festa é mais divertida!

Grande arraial 

Diálogo que tive com uma mãe de um pequenino

Eu - A escola é pública, né?

Mãe - Sim...

Eu - Os pais pagam mensalidade para a APMC?

Mãe - Damos uma contribuição...

Eu - Quanto?

Mãe - Mais ou menos uns R$ 60 reais. Eu não lembro bem, pois efetuo o pagamento em seis em seis meses. Dá uns R$ 300 e pouco reais... Lá é muito bom...

O que fala a Constituição Federal

Art. 206 - O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

[...]

IV - gratuidade do ensino público em estabelecimento oficiais;

[...]

VII - garantia de padrão de qualidade.

[...]


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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O que é isso companheiro?

Professor Bibiano - ao centro

Peguei emprestado o título do famoso livro de Fernando Gabeira, que me vez escrever sobre um determinado companheiro de profissão e manifestação: Professor Bibiano.

Companheiro que esteve presente firmemente em muitas lutas dos professores da rede pública, principalmente da Secretaria Municipal de Educação - Semed. Bibiano esteve conosco naquele dia histórico, 27 de setembro de 2017.

Cerca de 5 mil professores da Semed, debaixo de chuva mostrando sua indignação quanto a atitude do prefeito Arthur Neto, em não repassar as sobras do Fundeb.

Foi um dia  lindo! Infelizmente não alcançamos o nosso objetivo, mas havia algo diferente entre os professores. Não havia medo, não havia submissão. Apenas a sensação de orgulho e coragem que se misturavam com a chuva - um toró daqueles - que caia sobre a cidade de Manaus.

O ex-vereador e hoje Secretário Adjunto da Capital, Professor Bibiano Filho, estava conosco, sempre com o seu olhar distante, sua voz mansa, caminhando entre professores, sendo cumprimentado e cumprimentando a todos, sempre!

Entre nossas lideranças, seu conhecimento em relação ao Fundeb, nos dava certa base e nos passava  confiança. 

Quando Luiz Castro, assumiu a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino - Seduc, chamou para compor o seu quadro administrativo, o professor Bibiano. Foi criada então a expectativa de dias melhores para a educação pública no Amazonas. 

Manifestação dos professores - 2017
Finalmente um professor que conhecia e tinha vivenciado nossas lutas pela valorização do profissional de educação. Debaixo de chuva e sol, bradávamos em uma só voz: "no sol, na chuva, a luta continua".   
                              
O Secretário de Educação Luiz Castro, sempre teve prestigio diante dos professores de Manaus, na eleição de 2018, por pouco não ganhou de Eduardo Braga, para  o senado.

Professor Bibiano tinha a nossa confiança. Havia esperança. 

Começo do ano letivo de 2019. Wilson Lima, eleito Governador do Estado do Amazonas, a promessa de uma nova política, o homem que resolvia as broncas, ao lado da Deputada Teresinha Ruiz, gravou um vídeo prometendo que seus professores jamais "iriam para as ruas fazer greve". 

Mas tudo não passou de uma grande ilusão.

No último dia 15 de abril, parte dos professores da Seduc,  entraram em greve, uma greve longa,  pouco mais de 40 dias. 

Infelizmente a nossa esperança durou pouco. Os professores travaram uma batalha por melhorias salariais e mudanças.

Aqueles que criaram as expectativas de mudanças, logo mostraram suas garras. Dividiram a categoria entre professores grevistas e não-grevistas. Os não-grevistas foram beneficiados com a luta dos professores grevistas. Eles hoje, não fazem reposição de aula aos sábados com os professores que aderiram a greve, pois supostamente estavam dando aula enquanto os seus colegas estavam na luta. Justo! Tal divisão levou ao esvaziamento das salas de aula nos dias de reposição. 

Bibiano foi colocado em teste neste período de greve. Se passou credibilidade para o governo, entre os professores, Bibiano perdeu. Em pleno discurso na inauguração do Projeto Circuito de experimentos e baixo custo, que ocorreu na última quarta-feira (31), em um vídeo divulgado pelas redes sociais, escuta-se o áudio de uma professora questionando Bibiano: "você não está ao nosso lado, ano passado você estava". As vaias causaram grande constrangimento às autoridades presentes. 

O professor Bibiano rebateu: "estamos do mesmo lado"! 

Continua o áudio do vídeo:"Você está no lado de lá!

O lado de lá?

O que é isso companheiro? 

Lições que a vida nos ensina: nunca esquecer nossas origens, nossa raízes, nossas verdadeiras amizades. O poder cega. O poder passa...










     

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Meu grito!

É preciso seguir em frente.

O Brasil é a minha pátria! Sim, é a sua pátria! É a nossa pátria! Orgulhe-se brasileiro! Não permita que tiranos cegos por poder destruam a nossa casa. Pois o Brasil é o lar de todos nós!

Homens e mulheres que acordam todas as manhãs seguindo suas vidas, trabalhando para manter sua dignidade, sua liberdade, sua cidadania, sua felicidade.

O Brasil é dos brasileiros. Não dos golpistas!

Dos falsos e mentirosos heróis. Dos hipócritas que sonham com a riqueza através do sofrimento de outros. Dos insanos que vomitam maldade e tristeza.

Não...

O Brasil  é dos sonhadores, dos humildes, dos justos, dos homens e mulheres livres! O Brasil não começou em Curitiba. O Brasil nasceu no Nordeste, terra de milhares de homens e mulheres formidáveis, todos "paraíba"!

Nossas riquezas naturais no seio da Amazônia é inegociável. A Amazônia pertence a todos os brasileiros, pertence aos povos originários! Pertence ao povo!

Donald Trump, tire suas mãos sujas da Amazônia!

O Brasil é negro!

O Brasil é pardo!

O Brasil é branco!

O Brasil é índio!

O Brasil é mestiçado!

A elite querendo, ou não...

O Brasil só não pode ser daqueles que desejam o regresso. 

As infelizes declarações de Jair Bolsonaro nos últimos dias, trouxe ao povo brasileiro um raio de esperança.

As injustiças causada por Sérgio Moro, contra o Presidente Lula, trouxe a tona a dignação.

As espertezas de Delton Dallagnol, trouxe a repulsa contra a hipocrisia.

Canalhas! Canalhas! Canalhas!

Destruíram as empresas e estatais brasileiras, tudo a favor do capital estrangeiro. Tiraram direitos do trabalhador brasileiro. Mas não tiraram nossa alegria e utopia.

Reconstruiremos um país mais forte, onde as lutas sociais ecoará em cada canto do Brasil. A miséria será extinta, nunca mais o povo humilde voltará para o mapa da fome.

Sentiremos um grande orgulho circular em nossas veias como a quentura do nosso sangue, o mesmo orgulho que sinto agora!

Finalmente ecoará o meu grito:

Viva o povo brasileiro!

E todos gritarão ao mesmo tempo:

Viva!


  


terça-feira, 30 de julho de 2019

É preciso barrar Bolsonaro

#Ele Não!

É preciso barrar o presidente Bolsonaro, antes que ele termine de destruir o país. Em sete meses de mandato não é possível identificar nada de bom no seu governo.

O emprego não surgiu, a paz na sociedade não foi recuperada e o respeito que o Brasil tinha diante do mundo, aos poucos estamos perdendo. É uma calamidade!

Por outro lado, tudo o que seus eleitores mais fieis queriam, era um governo que iria realizar a nova política. A nova era! Mera ilusão. A velha política do toma lá, dá cá, ficou mais fortalecida no governo do Bolsonaro. 

O que tivemos de fato neste sete meses: 

1. suposta "compra" de votos para aprovar a reforma da previdência;

2. tentativa de nepotismo, ao indicar o seu filho para Embaixada dos Estados Unidos;

3. uso inadequado do helicóptero da FAB - Força Aérea Brasileira - para levar parte da família do presidente  ao casamento do filho Eduardo Bolsonaro, o famoso 03. 

Essas são as situações mais  divulgadas pela grande mídia.

Mas o presidente consegue se superar. Ontem (29), durante uma entrevista, Bolsonaro trouxe a tona a dor dos familiares que perderam seus entes queridos durante a Ditadura civil/militar (1964 -1985). Na tentativa de criticar Fernando Santa Cruz, presidente da OAB,  Bolsonaro falou "se o presidente da OAB quiser saber como o pai desapareceu no período militar, eu conto pra ele".

Sua declaração desrespeitosa e infeliz, poderá unir políticos da esquerda e da direita brasileira, para dar um basta nesta insanidade, que é o governo Bolsonaro!
















segunda-feira, 29 de julho de 2019

O simples prazer de ser estúpido

Fernando Santa Cruz (pai)

Imagine a seguinte história:

Um certo dia o seu pai sai de casa, mas não retorna. Você fica sabendo que ele foi assassinado. Não sabe ao certo quem matou? Porque matou? Onde deixou o corpo? Enfim, dezenas de interrogações vão lhe acompanhar pelo resto da vida. Ia esquecendo, você ainda é uma criança.

Vivência o sofrimento da mãe. O sofrimento da família. Cresce neste lugar marcado por interrogações. Nunca soube do paradeiro e nem mesmo do corpo de seu pai. Apenas assombrações do passado.

O tempo que nada perdoa, passa. Você torna-se um homem, segue a vida lutando para orgulhar o nome do pai, que é o seu mesmo nome. A sua grande herança.

Certo dia, sem ao menos esperar, você liga a televisão, começa a assistir o jornal e escuta a seguinte frase:

"Se presidente da OAB quiser saber como pai dele desapareceu na ditadura, eu conto".

A frase foi dita pelo presidente Bolsonaro.

Imagine a dor, a raiva, o rancor, a vergonha, todos sentimentos possíveis que voltaram a tona após a declaração estupida do Bolsonaro. 

Neste momento em que escrevo, não gostaria de está na pele do Presidente da OAB. 

É lamentável as atitudes de Jair Bolsonaro. 



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A coragem de Glenn Greenwald

Enquanto uns tem coragem... outros se acovardam

Sem dúvidas nenhuma, o nome do jornalista estadunidense Glenn Greenwald, será encontrado nos livros de história da geração futura do Brasil.

Seu nome estará no meio dos homens corajosos que lutaram por uma sociedade mais justa para todos. Um imigrante. Casado com um brasileiro, pai de dois filhos! Neste momento sua coragem é motivo para ser seguido. Uma esperança na luta contra a extrema direita que assombra o país.

Lutar contra um sistema jurídico corrompido, não é missão nada fácil. Não é uma luta para homens fracos!

Greenwald deixou muitos bolsonaristas  furiosos. O próprio presidente Bolsonaro. Não seria exagero afirmar que o jornalista corre risco de ser assassinado. Marielle Franco (1979 - 2018), é um triste exemplo de como se calam aqueles que desafiam o sistema.

Greenwald faz o que deveria fazer todos os jornalistas brasileiros que ainda possuem ética, já que uma parte deles esqueceram a importância da sua profissão: denunciar e apresentar a verdade para a sociedade brasileira. O problema é que temos parte da mídia covarde e vendida. E os jornalistas se curvam diante do poderio da imprensa.

No episódio que ocorreu em Goiás, na última sexta-feira (26), o presidente Bolsonaro chamou de "idiota" uma pergunta feita por um jornalista da Folha de São Paulo. Foi hilário, já que esse periódico ajudou no golpe que levou o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, 2016.

Fico imaginando a humilhação sofrida dos ilustres jornalistas que trabalham nos principais meios comunicação do Brasil, sendo tratados como idiotas!

Tais jornalistas esqueceram sua missão de levar informação a sociedade e defender a nossa democracia. 

Ainda temos o direito a liberdade de expressão. Que sirva de exemplo a coragem de Glenn Grenwald... "idiota"!   


domingo, 28 de julho de 2019

Povo Waiãpi pede socorro!

Quem é o culpado?

Ontem (27), um grupo de garimpeiros invadiram as terras e assassinaram um dos líderes do povo Waiãpi. Povo indígena que habitam o Município Pedra Branca - AP.

Assisti nas redes sociais um vídeo feito pelo Senador Rodolfo Rodrigues (REDE/AP), sobre o assassinato do cacique Emyra Waiãpi, 68 anos. Um assassinato brutal e covarde! 

A sensação de impunidade a cada dia cresce diante dos nossos olhos. Parece que foi dada licença para caçar e matar indígenas. 

A ambição pelas riquezas naturais nas terras da Amazônia - sendo parte habitada por povos originários -, ultrapassaram nossas fronteiras. O próprio presidente Jair Messias Bolsonaro já admitiu buscar parceria com os Estados Unidos para realizar a exploração da Amazônia.

A que preço podemos pagar pelo progresso?

Quantas lideranças indígenas serão assassinadas?

São questionamentos que serão respondidas nos próximos anos, enquanto durar o mandato de Bolsonaro.  

Caso a sociedade brasileira não tome uma atitude para dar um basta nas chacinas e invasões das terras dos povos indígenas, todos nós teremos as mãos sujas de sangue. 

O progresso vencerá, e, como alertou Caetano Veloso,  finalmente será "exterminada a última nação indígena". 


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